Domingo, dia de coral no museu
Leandro Alves
Tem gente que chora quando está triste, quando perde um emprego ou quando tem algum outro problema, alguns fazem isso na frente de todo mundo e outros preferem chorar sozinhos em algum lugar. E tem aqueles também que choram de alegria quando reencontram um amigo, quando se formam na faculdade, quando assistem um filme ou um espetáculo teatral muito bonito. Em alguns casos, muita gente chora diante da beleza.
Pois este domingo eu fui ver uma apresentação do coral PUC Minas. Já nas primeiras músicas as lágrimas desciam, de tão bonito que era tudo aquilo.
Homens e mulheres, velhos e jovens, todos vestidos de preto com o uniforme. No meio da apresentação falei para uma mulher sentada ao meu lado: “Que repertório classudo!” De “Cuitelinho”, gravado pela primeira vez por Nara Leão, o coral passeava por Scaborough fair, canção medieval famosa na voz de Simon and Garfunkel; “Anima”, de Milton Nascimento e Zé Renato; “Travessia”, de Milton e Fernando Brant; a belíssima cantiga natalina “Jingle Bell Rock”.
De vez em quando as lágrimas vinham. Eu não fazia nada para impedir. Mas um momento que era dos mais bonitos de todos, quando o maestro, vendo uma criança que o imitava na plateia, chamou o menininho e ficou regendo junto com ele o coral. Sim, vez por outra eu tinha que enxugar os olhos, diante de tanta beleza.
Tudo ficou melhor ainda quando o maestro explicou a história da música “Scaborough fair”. Ele falava que Scaborough fair era uma feira medieval,na Inglaterra, uma das mais famosas. Disse ainda que o autor da música era anônimo porque, na idade média,o conceito de artista não existia já que a arte era para o bem comum, para todos, algo desprovido de qualquer vaidade.
E não era assim que todo mundo estava ali? Um coral, formando uma só voz, sem vaidade, sem ninguém se isolar, sem nada. Apenas um canto coletivo.
A boa notícia é que se apresenta todos os domingos, sempre às onze horas, no Museu PUC Minas. E, o mais legal, é tudo de graça.
A amizade, as alegrias da vida, os momentos com aqueles que amamos, ver o sol nascer. O melhor da vida é de graça. Como o coral.